Cartão de crédito, amigo ou inimigo?

 
 
mulher segurando cartao de credito e dinheiro

O perfil é bem comum aos olhos de qualquer brasileiro: uma daquelas pessoas que usam muito o cartão de crédito, que já teve problemas com o excesso de consumo e a falta de dinheiro para pagamento integral da fatura, além do crédito rotativo, juros e um valor que aumenta de forma abusiva. O ciclo sem fim – que nos guiará (perdoe-me a brincadeira) a falência, diga-se de passagem.

Afinal, cartão de crédito: amigo ou inimigo?

Antes de qualquer coisa, é importante ressaltar a importância do cartão enquanto meio de pagamento e ferramenta e então abordar suas limitações e implicações na vida dos mais displicentes. 

Como meio de pagamento, o cartão de crédito te dá um poder interessante: o de “pagar” um produto ou serviço no futuro. Você adquire de imediato o que você quer e só paga depois, quando a fatura chegar. Sem falar no parcelamento. Você dilui mais ainda o preço das coisas. Consome antes, paga depois. Essa é a lógica primária que entra na cabeça das pessoas.

É interessante, porque deveria ser um processo planejado e organizado, ao lado de um controle fixo de pagamentos – a data de vencimento da fatura. Pense no quanto isso facilita o controle de fluxo de caixa e sua manutenção. 

Enquanto ferramenta, ela não tem absolutamente nenhum problema. Você daria uma furadeira e parafusos para uma criança brincar? Nem pensar, né? Já se perguntou o porquê? Não é problema na furadeira ou no parafuso. O problema está na criança, que não tem preparo o suficiente para usar a ferramenta furadeira para lidar com o produto parafuso. Já sabe onde eu quero chegar com isso, não?

O crédito associado ao cartão não significa dinheiro extra, mas simplesmente poder comprar, consumir e deixar o pagamento para uma data futura. 

Ao optar pelo cartão de crédito, precisamos estar cientes de que o valor negociado será cobrado e, portanto, precisa estar programado no controle financeiro. O crédito associado ao cartão não significa dinheiro extra, mas simplesmente poder comprar, consumir e deixar o pagamento para uma data futura. 

Seu maior atrativo é também sua maior armadilha. As facilidades impostas pelo uso diário do cartão implicam em uma das mais altas taxas de juros cobradas pelo sistema. Usar o crédito disponível e não honrá-lo integralmente no vencimento da fatura significa dar início a uma espiral perigosa de endividamento.

Você já ouviu falar de crédito rotativo? É um tipo de crédito oferecido ao consumidor quando ele não faz o pagamento total da fatura do cartão até o vencimento. O exemplo mais conhecido é quando pagamos o valor mínimo da fatura. Mas o rotativo acontece quando você paga qualquer quantia menor que o valor integral.

A diferença entre o valor total e o que foi efetivamente pago até o vencimento se transforma em um empréstimo. E, por causa disso, passa a ter juros no restante que você tem a pagar.

A falta de educação financeira adequada da população brasileira tem sido a principal causa do endividamento elevado dos usuários de cartão de crédito rotativo.

Na verdade, esse cartão só deve ser usado em casos de emergência, quando não há efetivamente outra opção.

Muitos brasileiros enganam-se, julgando que o parcelamento no cartão de crédito rotativo é a única opção disponível para resolver sua situação. Assim, mesmo pagando altas taxas de juros, eles assumem o risco e depois, em boa parte das vezes, não conseguem cumprir suas obrigações.

Se é esse o seu caso, pare imediatamente de usar o cartão, ligue para o banco e negocie o pagamento do saldo devedor em parcelas – de forma a pararem a cobrança de juros. Se não der certo, faça um empréstimo consignado ou pessoal do valor devido, pague a dívida e inutilize seu cartão até que o empréstimo seja quitado.

As pessoas bem organizadas financeiramente centralizam seus gastos no cartão de crédito porque simplificam seus pagamentos e mantém datas estabelecidas para pagamento de suas despesas em um só lugar. Isso as trazem controle financeiro e mantém em vista o saldo disponível para o restante do mês, além de participarem de programas de recompensa.

Ou seja: como meio de pagamento e ferramenta, o cartão de crédito não tem problema nenhum. O problema está em quem o gerencia, já que ele é provado um forte aliado para se ter controle e noção financeira. Vai de cada um dizer se ele é amigo ou inimigo. O fato é que ele tem potencial para ser os dois. Basta geri-lo de acordo com sua responsabilidade.

Lucas Bicudo

Jornalista da Messem Investimentos